Filme corresponde à expectativa quanto ao Homem-Aranha, mas fica aquém no que se refere a Peter Parker
Após a conclusão de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, criou-se uma grande expectativa quanto ao futuro do protagonista nos próximos filmes. De um mimado bem intencionado a alguém que perde tudo e é obrigado a continuar seguindo em frente. E essas expectativas são correspondidas em Homem-Aranha: Um Novo Dia, mas apenas em parte…
No que tange ao Homem-Aranha, temos aqui uma amálgama de elementos que compõem o universo do Cabeça-de-Teia. A relação dele auxiliando a polícia em problemas urbanos, o confronto com múltiplos vilões e a relação com outros heróis do universo.
Mas no que se trata a Peter Parker, faltaram coisas primordiais que fazem parte da lore do personagem. Um grande exemplo de acerto nisso foi Homem-Aranha 2 (2004), onde no início somos apresentados a um dia na vida do protagonista. Entendemos, na prática, o peso do fardo que ele carrega. Empregos ruins, estudos, vida social e a vida de herói. Tudo isso compete por tempo na rotina de Peter e, consequentemente, ele acaba não conseguindo equilibrar tudo devido à responsabilidade como Homem-Aranha. Fora os problemas financeiros.
Em Homem-Aranha: Um Novo Dia, sentimos o peso de Peter ao simplesmente ter que ter uma vida solitária enquanto sente falta da ex-namorada e dos amigos. Fora isso, não vemos a dificuldade em pagar o aluguel ou no que ele trabalha para pagar as contas ou, pelo menos, como ele conseguiu ter um computador de última geração – e uma ESTEIRA de corrida. Este é também o principal problema nos filmes do Homem-Aranha de Andrew Garfield, mas ali as dificuldades clássicas de Peter são, pelo menos, mencionadas. E isso atrapalha no fator mais chamativo na vida de Parker: a identificação com a vida comum.
Mas se nos concentrarmos apenas na vida de herói, temos muitas decisões acertadas. A dinâmica dele com o Justiceiro é muito bem orquestrada. Já a relação dele com Bruce Banner é apenas funcional, sendo ele, assim como os demais heróis, apenas um artifício nas mãos da misteriosa personagem vivida por Sadie Sink. Muitas pessoas torceram um pouco o nariz para a volta dos personagens de Nadie e MJ. Sem dúvida, creio que a substituição deles por personagens que compõe essencialmente a vida de Peter nos quadrinhos, viria mais a calhar. Como a vinda de Harry Osborn ou Gwen Stacy. Era a grande oportunidade de trazer coisas novas, afinal, é o início de uma nova trilogia. Mas o roteiro conseguiu manter, sem forçar a barra, a presença deles com um pouco de justificativa.
Outro grande ponto de acerto foram as cenas de ação. Ficou muito clara a inspiração nos excelentes movimentos dos jogos do Homem-Aranha mais recentes que saíram para Playstation. E, falando em inspiração, eu diria que a cereja do bolo do filme foram as referências a momentos das versões anteriores do Homem-Aranha. Foi um apelo indireto e muito acertado para momentos marcantes da vida do personagem que cruza gerações.
De fato, este filme poderia muito bem ser muito parecido com a história de Homem-Aranha 2, mas a substância do que o difere vem, principalmente, das participações de outros membros deste universo compartilhado. Mas não creio que isso justifique a personagem de Sadie Sink, cuja motivação para os atos – ou a simples presença dela como sendo uma das grandes personagens que compõem o universo Marvel em si – possam até facilitar um apelo mais emocional para Peter e até mesmo a presença mais madura do personagem, mas acaba aumentando demasiado o tom de um filme que poderia ser mais simples – e ao mesmo tempo emocional, como os filmes do Tobey Maguire, por exemplo.
Apesar de ter um espírito mais urbano e até mesmo episódico, vemos o Homem-Aranha praticamente como sempre quisemos – embora o papel ainda caia como uma luva para Andrew Garfield – e o mesmo não pode ser dito para Peter Parker, cuja versão de Tobey Maguire continua (e provavelmente assim sempre será) imbatível.
No fim, Homem-Aranha: Um Novo Dia, é um conjunto de oportunidades pegas e outras desperdiçadas mas que, no balanço final, ganham um grande salto positivo.
NOTA: 7,5 ESTRELAS DE 10
