[ultimas_noticias]

Pimenta Nerd

A sua dose certa de Nerdice

v

As aventuras de Kara Zor-El no espaço

Entre os próximos lançamentos do DC Studios e do DCU, temos Supergirl, filme que promete reinventar a heroína kryptoniana para uma nova geração e apresentar uma abordagem diferente da personagem dentro desse novo universo compartilhado. Mas será que funciona? Vamos descobrir.

Sinopse

Um adversário inesperado e implacável ataca perto demais de casa. Mesmo relutantemente, Supergirl une forças com um aliado improvável em uma jornada interestelar de vingança e justiça.

O retorno da Garota de Aço aos cinemas

Depois de cinco anos desde o fim da série Supergirl, estrelada por Melissa Benoist e que contou com seis temporadas, além do distante filme de 1984 protagonizado por Helen Slater, a heroína kryptoniana finalmente retorna às telonas.

A adaptação é baseada na aclamada HQ Supergirl: Mulher do Amanhã, escrita por Tom King, com arte de Bilquis Evely e cores de Matheus “Matt” Lopes. A obra se tornou uma das histórias mais elogiadas da personagem nos quadrinhos e serviu como principal inspiração para o longa.

O objetivo do filme é claro: apresentar ao público uma Kara Zor-El diferente da imagem tradicional associada ao Superman, explorando uma personagem marcada por perdas, traumas e pela busca de seu lugar no universo.

Uma aventura espacial visualmente competente

Fotografia e direção de arte

A questão visual do filme é, talvez, um dos aspectos mais curiosos da adaptação. O longa está longe de reproduzir a beleza quase artística da HQ, que utiliza aquarelas e cenários que parecem verdadeiras pinturas.

Mesmo assim, o filme consegue entregar um trabalho competente. A fotografia e o design de produção ajudam a construir a sensação de uma grande aventura espacial, apresentando diferentes planetas, culturas e cenários que ampliam a escala da história.

Por outro lado, a edição acaba sendo um problema. Em diversos momentos, a sensação é de que o filme não permite que certas cenas respirem. Algumas sequências emocionais e momentos importantes passam rápido demais, impedindo um aprofundamento maior dos personagens.

Craig Gillespie faz um trabalho sólido

Na direção, Craig Gillespie entrega um trabalho competente. O diretor consegue equilibrar ação, drama e humor, além de extrair boas atuações do elenco.

As cenas envolvendo a família Zor-El funcionam muito bem, especialmente aquelas com Milly Alcock, Emily Beecham e David Krumholtz. Existe uma carga emocional genuína nesses momentos, principalmente em uma sequência envolvendo Kara e sua mãe, Alura, que acaba sendo uma das mais tocantes do filme.

Milly Alcock é o grande destaque

Uma Supergirl cheia de personalidade

Se existe um elemento que sustenta o filme do início ao fim, esse elemento é Milly Alcock.

A atriz entrega uma versão extremamente carismática de Kara Zor-El. Ela consegue transmitir força, vulnerabilidade, raiva, humor e sensibilidade sem que nenhuma dessas características pareça forçada.

Durante anos, muitas adaptações da personagem tiveram dificuldades em encontrar uma identidade própria para a heroína. Aqui, Alcock consegue fazer com que Kara seja lembrada não como uma versão feminina do Superman, mas como uma personagem única.

Suas cenas ao lado do Superman de David Corenswet também funcionam muito bem. A relação entre os dois transmite carinho, respeito e cumplicidade, mostrando que existe um verdadeiro vínculo familiar entre os primos kryptonianos.

Personagens secundários dividem opiniões

Ruthye não alcança todo o seu potencial

Por outro lado, Ruthye, interpretada por Eve Ridley, acaba sendo uma das personagens mais inconsistentes do filme.

O roteiro parece não conseguir decidir qual é exatamente o papel dela dentro da narrativa. Em alguns momentos, ela funciona como uma personagem importante para o desenvolvimento da protagonista. Em outros, parece apenas um recurso narrativo utilizado para mover a trama quando necessário.

Isso acaba prejudicando o impacto emocional da personagem e enfraquecendo parte da jornada.

Krem é um vilão pouco marcante

O mesmo acontece com Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts.

Embora o filme tente construir um antagonista ameaçador e responsável por eventos importantes da trama, o personagem acaba parecendo uma caricatura em diversos momentos. Falta profundidade e complexidade para que ele se torne um vilão realmente memorável.

Mesmo quando o roteiro tenta atribuir peso dramático às suas ações, a sensação é de que estamos diante de um personagem bastante genérico.

Jason Momoa nasceu para interpretar Lobo

Se Milly Alcock é o coração do filme, Jason Momoa é o responsável por grande parte da diversão.

Interpretando Lobo, Momoa parece completamente à vontade. O personagem combina perfeitamente com seu estilo de atuação e presença de tela.

Mesmo que, em alguns momentos, pareça apenas Jason Momoa sendo Jason Momoa, isso funciona muito bem para a proposta do personagem. O anti-herói rouba a cena sempre que aparece e rapidamente se torna um dos maiores destaques da produção.

Sua química com Milly Alcock também funciona e ajuda a tornar a aventura mais divertida.

Supergirl

Um roteiro com boas ideias, mas execução irregular

Ana Nogueira apresenta diversos conceitos interessantes ao longo da narrativa. O filme aborda temas como trauma, amadurecimento, pertencimento e identidade.

Entretanto, muitos desses elementos acabam sendo introduzidos sem receber o desenvolvimento necessário. Algumas ideias surgem com força no primeiro ato e acabam sendo deixadas de lado conforme a trama avança.

Isso cria a sensação de que o roteiro possui mais ideias do que tempo para desenvolvê-las adequadamente.

Ainda assim, algumas relações funcionam muito bem, principalmente a conexão entre Kara e Krypto, que entrega momentos emocionantes e ajuda a humanizar ainda mais a protagonista.

Vale a pena assistir?

Supergirl é um filme que poderia ter sido melhor, mas ainda assim acerta em diversos aspectos importantes.

Milly Alcock entrega uma excelente protagonista, Jason Momoa diverte como Lobo e Craig Gillespie conduz uma aventura espacial competente. Embora o roteiro apresente problemas de desenvolvimento e alguns personagens fiquem abaixo do esperado, o filme consegue encontrar sua própria identidade e não depende excessivamente de conexões com outras produções do DCU.

No fim, Supergirl entrega uma aventura divertida, emocionante em alguns momentos e que finalmente faz justiça ao potencial da personagem nos cinemas. Talvez não seja a obra épica que muitos esperavam, mas certamente é um passo importante para consolidar Kara Zor-El como uma das figuras centrais do novo universo da DC.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *