O filme espiritual de Steven Spielberg
Entre os filmes da cinebiografia de Steven Spielberg, temos Além da Eternidade, um dos filmes menos lembrados do diretor. Quando se fala em Spielberg, normalmente lembramos de títulos como Tubarão, E.T. – O Extraterrestre, Indiana Jones ou A Lista de Schindler, enquanto este longa acaba ficando escondido em sua filmografia. Mas será que ele é realmente um filme menor ou apenas foi esquecido pelo tempo? Vamos descobrir.
Sinopse
Um piloto de combate a incêndios irresponsável morre no que deveria ser sua última missão. Já no céu, ele conhece um anjo metódico que lhe dá uma nova missão: transmitir toda a sua experiência de voo a um jovem piloto que está iniciando sua carreira.
Spielberg experimentando novos caminhos
Além da Eternidade é, sem dúvidas, um dos filmes mais diferentes da carreira de Steven Spielberg e, ao mesmo tempo, um dos mais curiosos. Aqui, o diretor parece estar vivendo um momento de experimentação, tentando misturar diferentes gêneros para criar algo que foge completamente do que ele havia feito até então.
O longa combina ação, drama, romance e elementos sobrenaturais em uma única história. É um filme que claramente tenta dialogar com o sucesso dos romances espirituais que surgiam no final dos anos 80 e início dos anos 90, como Ghost, mas ao mesmo tempo procura construir sua própria identidade. Em alguns momentos essa mistura funciona muito bem, mas em outros passa a impressão de que Spielberg está mais tentando acompanhar uma tendência do que criando algo totalmente seu.
Um trio que funciona
O trio formado por Richard Dreyfuss, Holly Hunter e Audrey Hepburn consegue construir uma dinâmica bastante interessante. Richard Dreyfuss entrega um protagonista carismático e que passa bem pela transformação do personagem ao longo da história, enquanto Holly Hunter adiciona emoção e humanidade ao romance.
Já Audrey Hepburn, em uma de suas últimas participações no cinema, transmite uma elegância e uma serenidade que poucas atrizes conseguiriam entregar. Sua presença em cena dá ao filme um peso emocional ainda maior, principalmente para quem conhece sua importância na história do cinema.
Um espetáculo visual
Talvez este seja um dos filmes visualmente mais bonitos de Steven Spielberg. A fotografia utiliza uma paleta de cores suaves e iluminadas que cria uma atmosfera quase celestial durante boa parte da narrativa.
O diretor consegue fazer com que o céu realmente pareça um lugar acolhedor, quase como um espaço de reflexão, enquanto as cenas de voo continuam mostrando toda a habilidade que Spielberg sempre teve para dirigir sequências aéreas. Existe uma sensação constante de liberdade quando os aviões aparecem em cena, contrastando perfeitamente com o lado mais dramático da história.

Uma história que perde o equilíbrio
Apesar de todas as suas qualidades técnicas, o filme acaba se perdendo justamente naquilo que mais tenta fazer: equilibrar seus diferentes gêneros.
Em alguns momentos ele quer ser um romance sobrenatural, logo depois vira um drama sobre perda, em seguida aposta na ação envolvendo os combates a incêndios e, por fim, tenta abordar questões espirituais. Essa constante mudança de tom faz com que a narrativa nunca encontre completamente sua identidade.
É um daqueles filmes em que você consegue enxergar ótimas ideias, mas também percebe que nem todas conseguem se conectar da maneira como deveriam.
Conclusão
Além da Eternidade talvez nunca esteja entre os melhores filmes de Steven Spielberg, mas certamente merece mais reconhecimento do que costuma receber. É um longa diferente dentro da carreira do diretor, que mostra um Spielberg disposto a experimentar novas ideias e sair da zona de conforto.
Além disso, o filme ganha um significado especial por contar com uma das últimas atuações de Audrey Hepburn, funcionando também como uma bela homenagem à atriz.
Mesmo sendo um filme bastante divisivo e irregular em alguns momentos, Além da Eternidade consegue emocionar, impressionar visualmente e apresentar uma proposta diferente daquilo que estamos acostumados a ver na filmografia de Spielberg. Para quem gosta de conhecer todas as fases do diretor, é uma obra que definitivamente vale o seu tempo.
