Uma nova expedição pelo Brasil: mostra Langsdorff 200 leva ao cinema questões urgentes sobre meio ambiente, memória e identidade
Duzentos anos após uma das mais importantes expedições científicas realizadas em território brasileiro, um novo olhar sobre o país chega às telas de cinema. A mostra Langsdorff 200, realizada pela Documenta Pantanal em parceria com o Instituto Hercule Florence (IHF), propõe uma jornada cinematográfica que percorre a Amazônia, o Pantanal e diversos outros territórios nacionais para discutir temas que seguem extremamente atuais: preservação ambiental, povos originários, memória, identidade e os desafios do futuro.
A programação integra o projeto “Langsdorff: A Expedição Fluvial 200 Anos Depois”, iniciativa que revisita a histórica viagem liderada pelo naturalista e diplomata Georg Heinrich von Langsdorff em 1826. Na época, a expedição cruzou rios e regiões pouco exploradas do Brasil, registrando paisagens, espécies e culturas através do olhar do desenhista e inventor Hercule Florence, cuja obra se tornou um importante documento da formação da identidade brasileira.
Agora, dois séculos depois, o cinema assume o papel de cronista dessa nova travessia.
Langsdorff: a expedição fluvial 200 anos depois: Langsdorff: a expedição fluvial 200 anos depoisUma viagem pelo Brasil contemporâneo
Com curadoria da produtora cultural Mônica Guimarães, a mostra reúne 17 produções organizadas em oito eixos temáticos, explorando diferentes perspectivas sobre o território brasileiro e suas transformações ao longo do tempo.
Entre os destaques da programação estão obras consagradas como Iracema, Uma Transa Amazônica (1974), clássico de Jorge Bodanzky e Orlando Senna que denuncia a exploração social e ambiental da Amazônia, além de produções contemporâneas como A Queda do Céu (2025), baseado nos relatos do líder yanomami Davi Kopenawa, e Sinfonia da Sobrevivência (2024), que retrata o trabalho de voluntários durante os devastadores incêndios que atingiram o Pantanal.
Outros filmes abordam temas como a luta dos povos indígenas contra invasões e desmatamento, a contaminação por agrotóxicos em territórios tradicionais, a destruição dos rios brasileiros e os impactos das mudanças climáticas sobre comunidades inteiras.
Arte, ciência e preservação
Mais do que uma celebração histórica, o projeto estabelece uma ponte entre passado e presente. Se no século XIX os viajantes registravam o Brasil por meio de desenhos, mapas e diários, hoje cineastas, fotógrafos e documentaristas assumem a missão de documentar um país em transformação.
A iniciativa também inclui uma exposição na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP), reunindo manuscritos e registros originais de Hercule Florence ao lado de obras de importantes fotógrafos contemporâneos, criando um diálogo entre memória, arte e ciência.
Segundo os organizadores, a proposta é provocar uma reflexão sobre os caminhos percorridos pelo Brasil ao longo dos últimos 200 anos e, principalmente, sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados para garantir a preservação de seus biomas e de suas culturas.
Serviço
Mostra Langsdorff 200
📅 Até 25 de junho de 2026
📍 Centro MariAntonia (USP)
📍 Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP)
📍 Cinema do IMS Paulista
A programação inclui exibições gratuitas de documentários, debates e atividades relacionadas ao projeto Langsdorff: A Expedição Fluvial 200 Anos Depois.
Em um momento em que questões ambientais ocupam o centro das discussões globais, a mostra surge como um convite para revisitar o Brasil, compreender seu passado e imaginar os próximos capítulos de sua história.
