O terror do vazio
Entre os lançamentos deste ano, Backrooms se destaca como um terror experimental produzido pela A24, inspirado na lenda do 4chan e nos vídeos virais de Kane Pearsons, que também dirige o longa. Mas será que o filme cumpre o que promete?
Sinopse
Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor de móveis, faz uma descoberta perturbadora no porão de sua loja, abrindo um portal para uma dimensão bizarra. Quando ele desaparece, sua terapeuta precisa adentrar esse labirinto infinito de salas e corredores amarelos para tentar salvá-lo.
Da lenda à tela
O conceito das Backrooms surgiu em 2019, com uma imagem publicada no 4chan mostrando um espaço linear e vazio, parecido com um escritório sem fim. Kane Pearsons transformou essa ideia em uma série de vídeos virais, que evoluíram para curtas, jogos e, agora, para este filme da A24.
Direção e atmosfera
A inexperiência de Pearsons como cineasta é perceptível, mas há acertos notáveis. Cenas em que a câmera desce pelos níveis das Backrooms criam tensão e claustrofobia de forma brilhante. O uso do found footage nas sequências de exploração amplifica o terror liminar, fazendo o espectador sentir a imensidão e o desespero do espaço infinito.
Contudo, quando o filme abandona essas técnicas, ele se perde. A narrativa desconexa e a tentativa de incluir múltiplos conceitos cinematográficos fazem com que algumas ideias não se conectem, especialmente nos últimos 15 minutos.

Elenco
Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve carregam o filme. Ejiofor interpreta Clark, um homem desfuncional e perturbado, enquanto Reinsve é sua psiquiatra, que se vê arrastada para o labirinto. Mark Duplass também aparece em participação curiosa, acrescentando pequenos momentos de tensão.
Conclusão
Backrooms é um filme que funciona mais pelo conceito do que pela narrativa. A estética e o design de produção são impressionantes, e o terror liminar é explorado de forma envolvente, mas a história em si é um fio que se perde em meio à experimentação. É uma experiência que você vai ou amar ou odiar, mas não há como negar a criatividade por trás do projeto.
